Todo produtor que já trabalhou com plantio direto conhece o dilema. Cobrir o solo entre safras é essencial: protege contra erosão, mantém a umidade, cicla nutrientes e melhora a estrutura física do solo ao longo do tempo. Mas, na prática, essa cobertura quase sempre veio acompanhada de um custo: a competição da forrageira com a cultura principal.
Um estudo conduzido pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), câmpus de Jaboticabal, se propôs a investigar justamente essa relação de perde-ganha, comparando o desempenho do milho consorciado com duas espécies de Brachiaria: a tradicional Ruziziensis e o híbrido Mavuno. O resultado reforça uma mudança importante na forma de pensar a cobertura de solo.
O problema conhecido: cobertura rápida, competição alta
A Ruziziensis é historicamente uma das espécies mais utilizadas para consórcio com milho em sistemas de plantio direto, principalmente por seu estabelecimento rápido, fácil dessecação e boa produção de biomassa. Mas esse mesmo vigor inicial é o que gera o problema: nas primeiras semanas após a emergência, justamente o período em que o potencial produtivo do milho está sendo definido, a forrageira compete de forma intensa por luz, água e nitrogênio.
No experimento da UNESP, essa competição se traduziu em números concretos: o milho consorciado com a Ruziziensis apresentou redução de índice de clorofila foliar, menor altura de plantas, menor diâmetro de colmo e menor altura de inserção da espiga em comparação ao milho cultivado de forma exclusiva. O reflexo direto disso foi uma queda de 13% na produtividade de grãos.
O que muda com o Mavuno
O híbrido Mavuno reúne características genéticas de Brizantha e Ruziziensis, combinando alto vigor vegetativo e elevada capacidade de perfilhamento, mas com uma diferença importante observada no estudo: seu crescimento inicial é mais lento.
Essa característica muda completamente a dinâmica do consórcio. Como o Mavuno não se desenvolve de forma agressiva logo nas primeiras semanas, o milho consegue se estabelecer sem sofrer a mesma interferência competitiva verificada com a Ruziziensis. O resultado: o milho consorciado com Mavuno apresentou altura de planta, altura de inserção de espiga e diâmetro de colmo estatisticamente iguais aos do milho cultivado sozinho.
Na prática, isso mostra que quase não há redução, diferente dos 13% observados no consórcio com a espécie tradicional.
Menos competição não significa menos cobertura
Um ponto que chama atenção no estudo é que o crescimento inicial mais lento do Mavuno não compromete sua capacidade de formar palhada. Pelo contrário: ao final do ciclo, em cultivo exclusivo, o Mavuno acumulou 14.280 kg/ha de massa seca, contra 9.603 kg/ha da Ruziziensis, uma produção 48% superior.
Ou seja, o Mavuno inverte a lógica que o produtor estava acostumado a aceitar. Em vez de crescer rápido e competir com a cultura principal desde o início, ele se desenvolve de forma mais gradual durante o ciclo do milho e, mesmo assim, mantém elevado potencial de produção de biomassa, como demonstrado pelo desempenho da espécie em cultivo exclusivo.
O que isso significa para quem já faz cobertura de solo
Para o produtor que já pratica consórcio milho-braquiária como parte do sistema de plantio direto, os dados da UNESP sugerem uma mudança de escolha de espécie, não de prática. A cobertura de solo continua sendo essencial, a diferença está em qual forrageira entrega essa cobertura sem comprometer a safra de grãos.
Quer saber como incluir o Mavuno na sua estratégia de consórcio nesta safra?
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*Fonte: PAIARES, Tainá Garcia. A consorciação com braquiárias e a adubação nitrogenada afetam o desempenho do milho? Trabalho de Conclusão de Curso (Engenharia Agronômica) — Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Jaboticabal, 2026.*
