Quando o assunto é escolha de pastagem, a primeira pergunta que costuma surgir é: “qual híbrido produz mais?”. Mas essa pergunta, sozinha, não revela o real potencial das cultivares. Produzir muita massa não significa, necessariamente, produzir muita forragem que o animal realmente aproveita.
Foi pensando nisso que cruzamos os dados de um estudo comparativo com 10 híbridos de Urochloa, conduzido na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e supervisionado pela professora Janaína Martuscello, com os dados bromatológicos médios levantados em materiais técnicos do setor. O resultado é uma simulação que ajuda a entender não só quanto capim cada híbrido produz, mas qual o potencial nutricional real dessa produção.
O que o estudo da UFSJ mediu
O estudo conduzido na UFSJ avaliou a estrutura de produção de dez híbridos de Urochloa ao longo de dois anos, observando como a massa seca de cada planta se distribui entre folha, colmo e inflorescência. Essa distinção importa porque é a folha a parte da planta que o animal efetivamente consome e aproveita.
Nesse levantamento, o Mavuno se destacou como o híbrido com maior produção de folha entre os dez avaliados: 17.314 kg de matéria seca de folha por hectare, por ano.
Por que cruzar esse dado com a bromatologia
O estudo da UFSJ não incluiu análise bromatológica direta. Ou seja, não mediu, no próprio experimento, teor de proteína, digestibilidade, FDN, FDA ou lignina de cada híbrido. Para oferecer uma leitura mais completa, foi feita uma simulação técnica complementar, cruzando a produção de folha observada no estudo com os valores médios de proteína e digestibilidade levantados separadamente em materiais técnicos do setor.
Como o cálculo foi feito
O raciocínio por trás da simulação é direto. Dois indicadores foram calculados:
Proteína potencial por hectare: Produção anual de folhas × teor de proteína bruta
Matéria seca digestível potencial por hectare: Produção anual de folhas × digestibilidade
No caso do Mavuno, o teor de proteína bruta considerado foi de 21%, o teto do intervalo levantado nos dados bromatológicos. Aplicando o cálculo:
17.314 kg MS de folha/ha × 21% = 3.636 kg de proteína potencial/ha, por ano.
O mesmo princípio foi aplicado à digestibilidade máxima, 72%, resultando em 12.466 kg/ha de matéria seca digestível potencial.
O que a simulação mostrou
Aplicando esse mesmo cálculo aos dez híbridos avaliados no estudo, o Mavuno apresentou o maior potencial de produção de proteína por hectare e o maior potencial de matéria seca digestível por hectare entre todos os materiais comparados, e por uma margem relevante:
| Mavuno | Média dos Demais Híbridos Avaliados | Intervalo dos Demais Híbridos Avaliados | |
|---|---|---|---|
| Potencial de Proteína (kg/ha) | 3.636 | 1.954 | 1.287 a 2.790 |
| Potencial de MS Digestível (kg/ha) | 12.466 | 9.224 | 6.434 a 10.849 |
O Mavuno ficou à frente da média dos demais híbridos avaliados em ambos os indicadores, e superou até o material com melhor desempenho entre os concorrentes.
O resultado combina dois fatores: uma alta produção de folha (o volume que entra na conta) e um teor de proteína entre os mais altos do mercado (o multiplicador que eleva o resultado final). É essa combinação de quantidade e qualidade de folha coloca o Mavuno na primeira posição do ranking.
O que isso significa na prática
Na hora de escolher uma pastagem, produzir massa não é suficiente. O que determina o desempenho do rebanho é a combinação entre volume de folha e qualidade nutricional dessa folha. É exatamente essa combinação que a simulação técnica evidencia — e é nela que o Mavuno se destaca.
Quer entender como esse potencial se aplica à sua propriedade?
