A entressafra não é tempo parado. É nela que se decide grande parte do resultado da safra seguinte e a escolha da planta de cobertura carrega mais peso nessa decisão do que costuma parecer.
Depois de anos em que a conta do produtor de soja mal fechou entre investimento e retorno, e com o clima cada vez mais incerto levando muitos a considerar pular a safrinha, a pergunta deixou de ser só “como proteger o solo” e passou a ser “como fazer essa proteção também contar a favor do resultado”.
Foi para responder a essa pergunta que reunimos, pela primeira vez, os resultados de três estudos técnicos independentes sobre o Mavuno. Cada um investigou uma etapa diferente do sistema produtivo: o consórcio com milho, a proteção da raiz da soja plantada em sequência, e o reflexo disso na produtividade final. Juntos, eles revelam o que uma cobertura bem escolhida faz por baixo da terra.
Cobertura eficiente, sem competir com o milho
Uma das práticas mais comuns antes do plantio da soja, é o consórcio entre braquiária e milho. Aqui surge uma preocupação comum entre produtores: será que a planta de cobertura compromete a produtividade do milho?
Um estudo conduzido pela UNESP Jaboticabal comparou o desempenho do milho cultivado sozinho com o milho consorciado com Mavuno e com Urochloa ruziziensis, sob diferentes doses de nitrogênio em cobertura.
Os resultados mostraram uma diferença relevante entre as duas forrageiras:
O milho consorciado com ruziziensis teve redução de 13% na produtividade de grãos em relação ao milho exclusivo, uma queda atribuída à maior agressividade competitiva inicial dessa espécie, que disputa luz, água e nutrientes com o milho justamente nos estágios em que o potencial produtivo da cultura está sendo definido.
Por outro lado, o milho consorciado com Mavuno manteve produtividade estatisticamente equivalente ao milho exclusivo.
O motivo está no comportamento inicial do Mavuno: seu crescimento mais lento nas primeiras semanas após a emergência permite que o milho se estabeleça sem sofrer interferência expressiva da forrageira. Depois da colheita do milho, porém, o Mavuno compensa esse início mais contido com maior acúmulo de biomassa ao longo do ciclo.
Proteção da raiz: o “porquê” científico
Um dos maiores riscos invisíveis para a soja são os nematoides, organismos microscópicos que atacam o sistema radicular e comprometem a absorção de água e nutrientes, muitas vezes sem sinal visível até que o dano já esteja feito. Por isso, uma boa cobertura de solo não favorece só a estrutura, mas também contribui na proteção das raízes.
Um estudo conduzido pela Araucária Soluções Agronômicas, em parceria com a Universidade Estadual de Maringá (UEM), comparou a capacidade da soja, Brachiaria ruziziensis e o híbrido Mavuno de suprimir os nematoides mais relevantes para a cultura da soja: Pratylenchus brachyurus (nematoide das lesões radiculares).
Os resultados foram claros:
- A soja apresentou fator de reprodução (FR) de 5,92, alta multiplicação do nematoide.
- A ruziziensis reduziu a população em 54,42% (FR de 2,70).
- O Mavuno apresentou a maior redução entre as forrageiras: 65,83% de redução na população total e 93,79% de redução na densidade por grama de raiz (FR de 2,02), o material mais eficiente do estudo na supressão desse nematoide.
Outro dado relevante: em ambos os ensaios, o Mavuno apresentou o maior acúmulo de massa radicular entre as forrageiras avaliadas (36,09 g e 52,45 g, conforme o nematoide testado), sinal de um sistema de raízes mais vigoroso, mesmo sob a pressão dos patógenos.
O resultado que chega no fim da safra
Depois de cobrir o solo sem prejudicar a produção de milho e de proteger a raiz da soja que virá em seguida, a pergunta final é a mais prática de todas: tudo isso se torna mais resultado por hectare?
Um estudo conduzido pela GAPES ICT (Instituto de Ciência, Gestão, Tecnologia e Inovação), em Rio Verde (GO), acompanhou a produtividade acumulada do sistema soja-milho ao longo da safra 2025/26, comparando o milho exclusivo com o mesmo sistema após diferentes plantas de cobertura, incluindo Mavuno puro e um Mix Cobertura Mavuno que inclui Mavuno em sua composição.
Os resultados de produtividade de soja, em sacas por hectare (sc/ha), foram:
| Cobertura | Produtividade (sc/ha) | Incremento vs. testemunha |
| Testemunha (Milho isolado) | 77,1 | – |
| Mavuno | 83,7 | +6,6 |
| BRS Piatã | 81,1 | +4,0 |
| Ruziziensis | 79,2 | +2,1 |
| Mix Cobertura Mavuno | 85,2 | +8,1 |
| Mix Pastejo | 79,4 | +2,3 |
O Mix Cobertura Mavuno, que leva Mavuno em sua composição, apresentou o maior incremento observado entre todos os tratamentos, um ganho de 8,1 sacas por hectare em relação ao milho sozinho. O Mavuno cultivado isoladamente também apresentou incremento relevante, de 6,6 sc/ha.
Vale destacar também que o estudo encontrou uma correlação positiva moderada (r = 0,46) entre os teores de fósforo (P) remanescentes no solo após o cultivo das plantas de cobertura e a produtividade da soja subsequente. O Mix Cobertura Mavuno apresentou a menor perda de fósforo entre todos os tratamentos (-14,55%), enquanto os demais tiveram perdas superiores a 25%. Isso ajuda a explicar, ao menos em parte, por que os sistemas com cobertura tendem a produzir mais: solos que retêm mais fósforo sustentam melhor a produtividade da cultura seguinte.
O sistema completo
Depois de safras em que a conta entre investimento e retorno mal fechou, esse é o tipo de dado que ajuda a desempatar o jogo, não como promessa, mas como resultado testado, medido e documentado em três estudos.
Quer conhecer o Mavuno na prática?
Fontes: Relatório Final GAPES ICT — Impacto das Plantas de Cobertura no Sistema de Produção de Soja (Safra 2025/26); Relatório Técnico Final de Eficiência Agronômica — Araucária Soluções Agronômicas / UEM (2025); Paiares, T.G. — A consorciação com braquiárias e a adubação nitrogenada afetam o desempenho do milho? — UNESP Jaboticabal (2026).
